19 de junho de 2019
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Open Banking e Transformação Bancária

Open Banking e Transformação Bancária
A entrada em vigor da nova Diretiva Europeia “PSD2 (Diretiva de Serviços de Pagamento)”, aplicável a partir de 13 de janeiro de 2018, permitiu o processamento de dados de contas bancárias de clientes por terceiros, e não exclusivamente por bancos como anteriormente. Por sua própria natureza, desencadeou a introdução de um novo conceito mais amplo do próprio mercado bancário europeu: um ecossistema aberto e de fácil acesso para todos os clientes e todas as entidades.
Esse conceito, denominado Open Banking, se traduz, portanto, em um novo modelo de relacionamento bancário, baseado no compartilhamento de informações e na transparência, e no qual a predisposição para a colaboração entre instituições financeiras, fintechs e outras entidades é inevitável, pois somente assim elas poderão atender e satisfazer melhor as necessidades financeiras de seus clientes.
Esta diretiva permite um novo posicionamento do consumidor, mais central e informado, neste mercado. Até agora, o significativo desenvolvimento tecnológico das últimas décadas não foi acompanhado na mesma proporção em termos de conhecimento e comportamento do consumidor, apesar da diversidade e multiplicidade de ofertas, bem como do forte investimento em transformação tecnológica que o setor bancário tem feito globalmente.
Embora seja verdade que as instituições financeiras tenham demonstrado um forte compromisso com a transformação digital para tornar a "jornada do cliente" nos serviços bancários mais fácil e atraente, também é verdade que não se obtiveram resultados satisfatórios na simplificação da linguagem e na compreensão dos produtos, bem como na sua contratação. Assim, em regra, no mercado financeiro, as informações inerentes aos produtos, serviços e seus termos e condições são um tanto complexas e bastante técnicas, o que não permite uma interpretação rápida e direta dos produtos apresentados.
Além disso, com uma oferta cada vez mais diversificada, os consumidores deste setor não dispõem de uma forma eficaz de comparar os produtos bancários existentes, à luz do que podem fazer noutros setores.
Embora ainda estejamos no início e lançando as bases do Open Banking, o princípio dessa transformação é bastante simples: o mercado financeiro está cada vez mais receptivo a mudanças em diversas dimensões, como inovação, segurança e eficiência.
Com essa transformação, todos se beneficiam: além das grandes instituições financeiras, bancos menores, fintechs e, claro, os consumidores também são contemplados. Por outro lado, outros grandes nomes da indústria de tecnologia, como as chamadas “GAFAM – (Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft)”, também podem se beneficiar dessas novas medidas, desde que saibam definir a estratégia correta.
Em que se baseia o Open Banking?
A partir de 13 de janeiro de 2018, no espaço europeu, a retenção de informações relativas às contas dos clientes por parte das instituições bancárias deixou de ser exclusiva, podendo essas informações ser transferidas para terceiros, geralmente denominados Fornecedores Terceirizados (TPP), com o devido consentimento do usuário/cliente. Dessa forma, com a abertura do processamento de dados por terceiros e estes, por sua vez, com foco total na prestação de serviços de informação personalizados, fortemente apoiados por softwares preparados para o processamento massivo de dados, torna-se possível abrir novos canais, disseminar ferramentas de apoio à decisão e realizar processamentos estatísticos de alta precisão em benefício dos usuários de serviços bancários.
Embora o processo de padronização desse novo protocolo de comunicação de informações bancárias ainda esteja em andamento, torna-se natural acessar plataformas virtuais com uma ampla diversidade de produtos bancários, originários de várias instituições financeiras, e, por natureza, escolher os produtos mais relevantes para as necessidades financeiras atuais e futuras.
Que novas entidades irão mudar a relação bancária tradicional?
Além das novas fintechs e da transformação que as instituições financeiras inevitavelmente terão de implementar, dois novos tipos de provedores de serviços puramente tecnológicos surgiram oficialmente no mercado financeiro, regulamentados pela autoridade bancária europeia. Assim, AISP (Account Information Service Provider) e PISP (Payment Initiation Service Provider) tornam-se as novas siglas a serem conhecidas no ecossistema financeiro europeu.
Tanto os AISPs quanto os PISPs são entidades criadas com base na segurança para fornecer esse tipo de serviço exclusivamente mediante o consentimento do cliente.
Comecemos pelos AISPs. Os AISPs, empresas que gerenciam e fornecem informações de contas bancárias, são entidades tecnológicas autorizadas a coletar e armazenar informações das diversas contas bancárias de cada cliente, bem como validar o compartilhamento dessas informações com as instituições escolhidas por eles.
Vamos agora falar sobre os PISPs. Os PISPs, também conhecidos como provedores de serviços de iniciação de pagamentos, são entidades que simplificam os pagamentos online. Eles estabelecem uma conexão direta entre a conta do cliente e a do comerciante, consolidando o pagamento sem a necessidade de intermediários.
Em resumo, agora temos acesso a um novo modelo de relacionamento bancário, desenvolvido com foco no cliente, o que traz novas oportunidades. De modo geral, observa-se uma diversificação de funções no mercado bancário e financeiro, reforçando os pilares da democratização de dados, com segurança e confidencialidade obrigatórias, além da introdução de uma liberdade de escolha mais assertiva, resultante dessa nova “biblioteca de dados” disponível ao usuário.
Entre as diversas inovações, essas novas empresas podem agregar informações de todas as contas bancárias de seus clientes, bem como informações sobre produtos de diversas instituições financeiras. Portanto, parece inquestionável que a simplificação de processos operacionais bancários habitualmente complexos ganhará espaço, o que, do ponto de vista das empresas e dos profissionais da área, representará uma enorme economia de tempo, promoverá a eficiência e reforçará o foco estratégico na atividade principal de cada empresa.
Outras inovações estão surgindo e muitas mais virão como resultado desse novo paradigma.
O Open Banking, ou seja, o ecossistema bancário aberto e de fácil acesso, veio para ficar, e há uma forte predisposição para que as instituições financeiras atuais também sejam receptivas e colaborem fortemente com "fintechs" como a nBanks e muitas outras, a fim de satisfazer as necessidades financeiras de seus clientes.
Ninguém sabe ao certo qual será o "modelo" do futuro do setor bancário e financeiro que a legislação europeia está a gerar com a nova PSD2 (Diretiva de Serviços de Pagamento).
Sabemos, no entanto, que os caminhos da transparência, da imparcialidade e da partilha de informação ajudarão a pavimentar o caminho certo para este novo modelo.
Agora está em nossas mãos aproveitar a tão necessária transformação bancária.
