25 de março de 2025
O peso das finanças no bem-estar emocional dos portugueses
A ansiedade financeira e o aumento do custo de vida tornaram-se uma preocupação crescente entre os portugueses.

A ansiedade financeira tornou-se uma preocupação crescente entre os portugueses. Com o aumento do custo de vida, salários que não acompanham a inflação e incertezas econômicas, muitas pessoas entram num ciclo de preocupação constante com as suas finanças.
Este fenómeno afeta pessoas de todas as idades, mas é especialmente intenso entre os jovens e os estudantes universitários. Este sentimento pode manifestar-se de várias formas, principalmente através da insónia, do medo constante de não conseguir pagar as contas ou da aversão ao orçamento. Em Portugal, onde os salários muitas vezes não cobrem as despesas básicas como a habitação, a alimentação e os transportes, a situação é ainda mais grave.
Segundo o estudo "Bem-estar Financeiro em Portugal: Uma Perspectiva Comportamental", realizado pela Doutor Finanças em parceria com a Laicos - Mudança Comportamental e instituições como a Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e a NOVA IMS, metade da população sente ansiedade ao pensar nas suas finanças pessoais . Além disso, 22% dos inquiridos afirmam que esta preocupação prejudica o desempenho profissional, afetando o seu sucesso.
Mais da metade da população está insatisfeita com sua vida financeira e 25% enfrentam dificuldades para pagar as contas. Esses dados refletem a pressão financeira que muitas famílias enfrentam em Portugal. O estudo também destacou o baixo nível de educação financeira como um fator agravante, já que muitos portugueses não possuem o conhecimento necessário para gerir suas finanças de forma eficaz.
Outro dado igualmente alarmante revela que 18% dos portugueses evitam sequer pensar nas suas finanças pessoais , possivelmente por medo de enfrentar a situação ou por não saberem como lidar com ela. 23% dos inquiridos sentem-se culpados ao refletirem sobre o estado das suas finanças , o que evidencia o forte impacto emocional deste tema.
Entre as causas de ansiedade financeira em Portugal encontram-se as rendas elevadas, as dívidas acumuladas e a incerteza económica. O aumento das taxas de juro nos últimos anos, especialmente a Euribor, teve um impacto negativo direto nos custos da habitação, representando uma parte significativa do orçamento familiar e agravando a situação de muitos portugueses.
Essa ansiedade é particularmente evidente entre os jovens. Fatores como o aumento dos preços dos aluguéis, a dificuldade de entrada no mercado de trabalho e os altos custos da educação criam cenários de incerteza. Estudantes universitários muitas vezes precisam conciliar os estudos com trabalhos de meio período para cobrir as despesas, o que pode levar à exaustão física e mental. Além disso, a pressão sobre as famílias, especialmente as de baixa renda, torna a situação ainda mais difícil.
Apesar dos desafios, existem diversas soluções para lidar com a ansiedade financeira. A educação financeira é essencial para uma melhor gestão das finanças pessoais. Um maior controle financeiro e uma menor sensação de desorganização podem ser alcançados, por exemplo, por meio de cursos, workshops, aplicativos financeiros e planejamento orçamentário mensal. Além disso, o apoio psicológico é fundamental para lidar com o impacto emocional das dificuldades financeiras. Programas como o Vale-Psicólogo, oferecido pelo governo para estudantes do ensino superior, são uma forma acessível de obter apoio.
A ansiedade financeira não é insuperável. Com educação, planejamento e apoio adequado, é possível alcançar maior tranquilidade financeira e emocional. A sociedade deve continuar a promover a educação financeira e o governo deve implementar políticas públicas que ajudem os cidadãos a superar esses desafios e a construir um futuro mais estável e menos ansioso.
Autor: Eduardo Beltrão - Business Developer nBanks
Créditos da imagem: Unsplash
