13 de maio de 2021
As PMEs têxteis tiveram um desempenho melhor durante a crise do que as grandes empresas.
Um estudo realizado na Universidade do Minho por Ana Marta Abreu mostra que as PME do setor têxtil alcançam...

Um estudo realizado na Universidade do Minho por Ana Marta Abreu mostra que as PME do setor têxtil apresentam um desempenho financeiro superior ao das grandes empresas em tempos de crise, contrariando as expectativas comuns. A crise económica e financeira que afetou Portugal provocou diversas restrições macroeconómicas.
O desempenho das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) durante o período de crise atingiu, em média, 160%, quando analisados indicadores como o total de ativos da empresa, o número de funcionários, a idade, o total de passivos, o patrimônio líquido, entre outros. Esta percentagem é superior ao desempenho das grandes empresas, que atingiu 102% durante a crise que abalou Portugal em 2008. Estas variáveis foram comparadas nos períodos pré e pós-crise financeira para empresas de diferentes dimensões.
Esta é a conclusão de Ana Marta Abreu, num estudo realizado no âmbito do seu mestrado em Economia Monetária, Bancária e Financeira na Universidade do Minho.
“Observando os valores tanto das grandes empresas quanto das PMEs, podemos concluir que o valor do desempenho é maior nas PMEs durante o período em que a crise esteve presente”, conclui o economista.
Ana Abreu analisou o comportamento de 5500 empresas do setor têxtil no Norte de Portugal, entre 2007 e 2016, com o objetivo de avaliar como a crise afetou o seu desempenho.
O setor têxtil representa cerca de 10% das exportações e 8% do faturamento da indústria de transformação.
Os resultados sugerem que “ ao contrário das nossas expectativas, são as empresas menores, ou seja, as PMEs, que conseguem obter um desempenho superior em períodos de crise”, revela o trabalho acadêmico.
A idade das empresas é um dos fatores apontados pela autora para justificar esse resultado. " Quanto mais anos a empresa atua no setor, menor o seu desempenho", afirma, acrescentando que "além disso, à medida que a empresa envelhece, se seus gestores não se adaptarem à inovação tecnológica, a empresa poderá não conseguir evoluir de acordo com o mercado em que opera". Esses fatores podem contribuir para que uma empresa mais antiga se torne mais vulnerável em recessões econômicas.
Em resumo, o estudo permite inferir que as grandes empresas têm muito a aprender com as PME no que diz respeito ao ajustamento e reposicionamento em períodos de crise. Num contexto em que se fala do regresso a um quadro mais desafiante para a economia portuguesa, mantém-se a perspetiva de que as grandes empresas devem preparar-se para um período menos próspero, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e as conhecidas projeções do Banco Central Europeu (BCE).
Dissertação publicada em outubro de 2017, de autoria de Ana Marta Guise de Abreu, como parte do Mestrado em Economia Monetária, Bancária e Financeira, na Universidade do Minho: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/49597
