15 de junho de 2020
As PME portuguesas têm maior dificuldade em obter financiamento.
Um estudo realizado na Universidade de Aveiro por Daniela Fonseca Pinheiro mostra que o crédito concedido...

Um estudo realizado na Universidade de Aveiro por Daniela Fonseca Pinheiro mostra que o crédito concedido às PME aumenta de acordo com o seu porte, liquidez e ativos que podem ser oferecidos como garantia. A garantia também se torna mais relevante em períodos marcados por crise econômica.
As dificuldades de acesso ao financiamento afetam a sustentabilidade financeira das PMEs, especialmente daquelas que não têm acesso a outras alternativas de financiamento e, portanto, são impedidas de crescer, inovar e aumentar a competitividade.
Esta é a conclusão de Daniela Fonseca Pinheiro, num estudo realizado no âmbito do Mestrado em Economia da Universidade de Aveiro.
Daniela Pinheiro analisou o comportamento de 3190 pequenas e médias empresas portuguesas entre 2011 e 2016, com o objetivo de avaliar como a crise afetou o desempenho e o acesso ao financiamento dessas PMEs.
O estudo acadêmico revela que “para os bancos, as PMEs enfrentam maiores riscos (falências, insolvência, baixo nível de capitalização), o que muitas vezes torna o financiamento pouco atrativo para as instituições financeiras”. Os resultados também sugerem que “as empresas menores são as mais afetadas no acesso ao financiamento, pois têm menor probabilidade de sobrevivência, o que aumenta o risco de inadimplência em comparação com as grandes empresas”.
As PMEs têm sentido dificuldades no acesso ao financiamento, mas também reconhecem que "o apoio às PMEs tem sido uma das prioridades da Comissão Europeia para o crescimento económico, a criação de emprego e a coesão económica e social".
O economista conclui ainda que “estudar as vantagens do acesso ao financiamento bancário em comparação com outros créditos para PMEs também pode fornecer conclusões importantes sobre as melhores alternativas de estrutura de capital para PMEs”.
Em suma, o estudo demonstra que as PME devem ajustar-se e reposicionar-se em períodos de crise. Contudo, o trabalho e a atenção prestados pelas entidades competentes devem ser realizados de forma mais relevante, tanto em tempos de recessão como de crescimento económico, uma vez que desempenham um papel importante na economia portuguesa, constituindo a maioria do tecido empresarial português e contribuindo substancialmente para o produto interno bruto. Neste contexto, é fundamental garantir o financiamento das PME, de forma a preservar a sua necessária vitalidade financeira, permitindo o investimento contínuo e uma maior geração de valor.
Dissertação publicada em 2018, de autoria de Daniela Fonseca Pinheiro, no âmbito do Mestrado em Economia, na Universidade de Aveiro: https://ria.ua.pt/handle/10773/22863
