19 de fevereiro de 2026
Pagamentos em 2026: IA, stablecoins e identidade digital marcam um ponto de virada.
Segundo dados da Visa, espera-se que 2026 seja o ano em que os pagamentos digitais se tornem dominantes em todo o mundo.

De acordo com dados do relatório "2026 Payments Outlook" da Visa , 2026 deverá marcar uma virada estrutural no setor de pagamentos. Tecnologias que até então eram vistas como tendências emergentes, como inteligência artificial (IA), blockchain e ativos digitais, estão assumindo um papel central na economia global.
A análise da Visa identifica cinco grandes tendências que moldarão o setor nos próximos anos.
1. O comércio com agentes se torna convencional
Uma das mudanças mais significativas será a consolidação do chamado comércio assistido por agentes. Segundo a Visa, assistentes digitais baseados em inteligência artificial poderão pesquisar, comparar preços e concluir compras em nome dos consumidores.
Isso significa que, no varejo online, recursos como botões "Compre para mim" podem se tornar comuns, com um agente digital tomando decisões com base em preferências previamente definidas pelo usuário. Esse novo modelo aumenta a conveniência, mas também reforça a necessidade de mecanismos de segurança robustos, incluindo pagamentos tokenizados e identidade digital verificada.
2. A proteção de identidade entra na era da IA.
A mesma tecnologia que simplifica a experiência de compra também está sendo usada por redes criminosas. A Visa alerta que o crescimento de fraudes impulsionadas por inteligência artificial tornará a proteção da identidade digital ainda mais crucial.
O roubo de identidades completas, em vez de apenas dados isolados de cartões, será uma das principais ameaças. Por esse motivo, 2026 é visto como um ano decisivo para fortalecer a cooperação entre instituições financeiras, empresas de tecnologia, comerciantes e autoridades públicas, com o objetivo de desenvolver soluções de segurança mais sofisticadas e capacidades compartilhadas de resposta a fraudes.
3. As stablecoins ganham escala
Outra tendência destacada no relatório é a consolidação das stablecoins como parte relevante da infraestrutura global de pagamentos.
Impulsionadas por uma maior clareza regulatória, espera-se que essas moedas digitais atreladas a ativos estáveis se expandam, principalmente em pagamentos internacionais, transferências comerciais e remessas. Seu uso pode reduzir custos e agilizar operações transfronteiriças, que tradicionalmente são mais lentas e caras.
4. O declínio do caixa manual
A inserção manual de dados de cartão no comércio eletrônico deverá desaparecer progressivamente. De acordo com a Visa, as credenciais tokenizadas e as carteiras digitais integradas reduzirão significativamente a necessidade de inserir informações manualmente.
Essa evolução se traduz em uma experiência de pagamento mais rápida e simples, com impacto direto na redução de fraudes e na diminuição das taxas de abandono de carrinho. Quanto menos atrito no checkout, maior a taxa de conversão para os lojistas.
5. O dinheiro em espécie permanece, mas perde terreno.
Apesar da rápida aceleração digital, o dinheiro em espécie não desaparecerá. Ainda assim, espera-se que 2026 seja o primeiro ano em que a maioria dos pagamentos globais seja feita por meios eletrônicos.
Os pagamentos sem contato e as carteiras digitais continuarão ganhando terreno, especialmente em transações de baixo valor tradicionalmente dominadas por dinheiro em espécie. O cenário apresentado pela Visa aponta para uma transição gradual, porém clara, rumo a um sistema cada vez mais digital.
Um ano decisivo para o setor
De modo geral, os dados da Visa mostram que 2026 não será apenas mais um ano de inovação incremental. Será um momento de consolidação. Inteligência artificial, tokenização, stablecoins e carteiras digitais estão deixando de ser tecnologias experimentais para se tornarem infraestrutura essencial.
O desafio não estará apenas na adoção tecnológica, mas na capacidade do ecossistema de pagamentos de garantir confiança, segurança e interoperabilidade em um ambiente cada vez mais automatizado e digital.
