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Pagamentos em 2026: IA, stablecoins e identidade digital marcam um ponto de viragem
Segundo os dados do relatório “2026 Payments Outlook” da Visa, 2026 deverá marcar um ponto de viragem estrutural no setor dos pagamentos. Tecnologias que até agora eram vistas como tendências emergentes, como a inteligência artificial (IA), a blockchain e os ativos digitais, passam a assumir um papel central na economia global.
A análise da Visa identifica cinco grandes tendências que irão moldar o setor nos próximos anos.
1. O comércio com agentes entra no mainstream
Uma das mudanças mais relevantes será a consolidação do chamado agentic commerce. De acordo com a Visa, assistentes digitais baseados em IA serão capazes de pesquisar, comparar preços e concluir compras em nome dos consumidores .
Isto significa que, no comércio online, poderão tornar-se comuns funcionalidades como botões “Comprar por mim”, onde um agente digital toma decisões com base nas preferências previamente definidas pelo utilizador. Este novo modelo aumenta a conveniência, mas reforça a necessidade de mecanismos robustos de segurança, como pagamentos tokenizados e identidade digital verificada.
2. A proteção da identidade entra na era da IA
A mesma tecnologia que simplifica a experiência de compra está também a ser usada por redes criminosas. A Visa alerta que o crescimento da fraude impulsionada por IA tornará a proteção da identidade digital ainda mais crítica .
O roubo de identidades completas, e não apenas de dados isolados de cartões, será uma das principais ameaças. Por isso, 2026 é apontado como um ano decisivo para reforçar a cooperação entre instituições financeiras, empresas tecnológicas, comerciantes e entidades públicas, com o objetivo de desenvolver soluções de segurança mais sofisticadas e capacidades partilhadas de resposta à fraude.
3. As stablecoins ganham escala
Outra tendência destacada no relatório é a consolidação das stablecoins como parte relevante da infraestrutura global de pagamentos .
Impulsionadas por maior clareza regulatória, estas moedas digitais indexadas a ativos estáveis deverão expandir-se sobretudo em pagamentos internacionais, transferências empresariais e remessas. A sua utilização poderá reduzir custos e acelerar operações transfronteiriças, tradicionalmente mais lentas e onerosas.
4. O declínio do checkout manual
A introdução manual de dados de cartão no comércio eletrónico tende a desaparecer progressivamente. Segundo a Visa, credenciais tokenizadas e carteiras digitais integradas irão reduzir de forma significativa a necessidade de preenchimento manual de informação .
Esta evolução traduz-se numa experiência de pagamento mais rápida e simples, com impacto direto na diminuição da fraude e na redução do abandono de carrinhos de compras. Quanto menos fricção no momento do pagamento, maior a taxa de conversão para os comerciantes.
5. O dinheiro físico mantém-se, mas perde terreno
Apesar da forte aceleração digital, o numerário não desaparecerá. Ainda assim, 2026 deverá ser o primeiro ano em que a maioria dos pagamentos globais será realizada através de meios eletrónicos .
Pagamentos por aproximação e carteiras móveis continuarão a ganhar espaço, sobretudo nas transações de baixo valor, tradicionalmente dominadas pelo dinheiro físico. O cenário traçado pela Visa aponta para uma transição gradual, mas clara, para um sistema cada vez mais digital.
Um ano decisivo para o setor
No conjunto, os dados da Visa mostram que 2026 não será apenas mais um ano de inovação incremental. Será um momento de consolidação. A inteligência artificial, a tokenização, as stablecoins e as carteiras digitais deixam de ser experimentais para se tornarem infraestruturas essenciais.
O desafio não estará apenas na adoção tecnológica, mas na capacidade do ecossistema de pagamentos garantir confiança, segurança e interoperabilidade num contexto cada vez mais automatizado e digital.



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